em foco

Mak: Operação D7

Índice

O Autor 

1. ‘Fim de festa’
2. Nas vésperas do Plano
3. Um novo começo
4. Johannesburg - A ‘cidade do ouro’
5. A Cripta
6. A ‘missa’
7. Nos meandros do caos
8. O segundo grupo aterra
9. Tecendo a teia
10. A Irmandade
11. A teia estende-se
12. Hipóteses nucleares
13. O libanês
14. ‘Operative Action 1’
15. Um Bunker no Pafúri
16. O Ciclone
17. Uma inauguração e uma mudança
18. Visita surpresa
19. Movimentações de Julho
20. Férias antecipadas
21. Alvo: Marselha
22. Um abanão à FN
23. A ‘encomenda’
24. Nas vésperas do Dia D
25. O Dia D - Operação D-7
26. D-7 no Pafúri: reencontro e julgamento
27. Galo, Galo, Amanheceu!
28. Jornadas para a morte
29. O terror cai sobre Lisboa
30. Processo sumário
31. Rescaldo e última missão
32. Dois anos depois... 2001
 

Dossier Imigração
Dossier ‘Nuclear’
A Guerra do Yom Kippur (para os árabes, a Guerra do Ramadão)
Lista de personagens - o ‘núcleo duro’ do plano
Bibliografia
Notas

 
 

Mak, ele mesmo se define, ‘fui apanhado no gume da História’. Partido entre dois mundos e duas ou mais épocas ele é alguém perturbado, muito perturbado. Perturbador sobretudo. E conhece bem como usar essa faceta nos seus intentos, feitos de uma amálgama de cinismo, loucura e aventureirismo, naquilo que, para ele, considera ser apenas a ‘verdadeira justiça’. Teimoso e obcecado, extremamente convencido, consegue assim e a partir do seu caso e trauma pessoais, aglutinar uma horda fanática e heterogénea em autêntica cruzada revanchista anti-francesa. Mak não deixa contudo de ser mordaz e acertar nalguns alvos ‘malditos’ - com ou sem aspas. No fundo, será difícil dizer qual a faceta de Mak que sobreviveu a todo o ritual contado nestas páginas.

Após sete anos de envolvimento com o movimento de guerrilha moçambicano, o autor, Paulo Oliveira, abandona a Renamo em Outubro de 1987 por divergências quanto ao excessivo controlo sul-africano e à linha de actuação do grupo. Ainda em finais desse ano edita um primeiro número de um boletim independente sobre Moçambique e a África Austral. Em 14 de Março de 1988, e contando com uma certa liberalização do regime, regressa a Maputo, onde vive até finais de 1991.

Possuindo alguns conhecimentos e amigos no Cairo e, mais ao norte, no delta do Nilo, em Mahalla al-Kubra, e nos meios árabes da banlieu parisiense, o facto permitiu-lhe arranjar material para um romance de ficção, este ‘Mak: Operação D7’, que classifica como um ‘quase-manual de terrorismo’, escrito em 1997, e actualmente em fase de ultimação.

A verdade de toda essas histórias relatadas, onde mora ela? Poucos, muito poucos, que o conhecem bem, tentam explicar tudo de outra forma. Não, nem de um lado nem de outro, como sempre, jogou só por si e para si. A 'trip' africana apesar de tudo o que se noticiou e descreveu, não passou disso mesmo. Um acumular, uma soma de revanche, nostalgia imensa e um exílio da alma, urgente.

Às vezes é assim, procura-se um local de despojamento onde possamos renascer, um deserto para tudo esquecer e deixarmo-nos renovar nesse estado de contemplação. Acima de tudo, como garantem, um exílio da alma e do espírito. Ninguém poderá nunca explicar bem porquê, e ele não dirá nunca uma palavra. Sobre isto podemos estar certos.